Antes de Partir



Antes de partir se lembre de como tudo começou, do dia que trocamos a primeira mensagem, da primeira vez que nos vimos (você disse que gostava de me ver estudando pelo skype), das vezes que eu me escondia pra ouvir sua voz pelo telefone, do primeiro eu te amo e do próximo, que veio acompanhado de um textinho de ano novo.

Antes de partir pense em todos os nossos dias, nos primeiros 181 e depois dos últimos 730.

Antes de partir se lembre dos motivos dos sorrisos que fiz você dar, sei que eles incluem os versinhos que eu costumava te enviar de madrugada pra que quando acordasse tivesse algo bonitinho pra ler.

Antes de partir espere a minha febre, que durará anos, passar.

Antes de partir sente-se comigo e vamos tomar todo o café o mundo, a gente começa pelo do sábado de manhã, depois tomamos cada um que existe em cada Starbucks (10 vezes) e depois a gente segue experimentando todo o café que existe em cada micro cidade por aí e finaliza com o Kopi Luwak (ou Café Civeta).

Antes de partir vamos assistir à todas as nossas séries favoritas e escrever a continuação para aquelas que acabarem.

Antes de partir vamos colocar todos os nossos planos juntos, em prática. Vamos para França no Natal, para Las Vegas ano que vem (porque só lá poderemos desfrutar dos cassinos), vamos fazer aquele cruzeiro baratinho que achamos na internet, me leva pra Disney e deixa que eu me sinta uma princesa encantada, só não esquece de me beijar na frente do castelo.

Antes de partir me ame só mais algumas vezes e se mesmo depois que fizermos todas essas coisas você ainda quiser partir, se lembre, apenas, do quanto eu te amei nesse tempo juntos (e vou amar independente da sua escolha) e não lhe impedirei, afinal fizemos tudo o que tínhamos que fazer. 

Mas, se porventura, se arrepender, volte correndo! Não pense 1 ou 2 vezes, venha sem pensar. Venha a pé ou de carro, só venha. Eu estarei no mesmo lugar te esperando e começaremos a fazer novos planos, veremos novas séries, inventaremos outros cafés, e outros beijos e tudo novo só pra termos mais tempo juntos.

Tudo tem um fim

   

    Sempre ouvi dizer que tudo tem um fim e que as vezes ele vem sinalizado, só pra gente se preparar, enterrar os pés na areia como fazemos no mar o avistar uma onda grande, só pra não ser tão impactado com a sua violência, mas as vezes ele é silencioso e calmo... pega a gente no susto.
  Eu via a gente como uma dupla imbatível, do playstation ao almoço nos sábados. Éramos bons juntos, sabíamos ceder - você topava assistir A Pequena Sereia e eu abria mão de você por 1 ou 2 horas para que pudesse jogar seu jogo -, sabíamos ser amigos, sabíamos muita coisa...
    Nos vi fazendo planos sobre o nosso cachorro, que por sinal se chamaria Trotsky ou Zeus - você iria aceitar em algum momento -, nos vi planejar uma viagem pra França ou pra Las Vegas no fim do ano, mas também nos vi trocá-las por um Cruzeiro (gostei daquele que sairia de Miami). Vi a gente acordar cedo pra ir correr no parque e comer um 4.0 no B.K. a noite. Vi a gente viver algo que eu chamaria de O Extremo da Alegria.
    Vi a gente discutir e fazer as pazes antes de cair no sono, ficar sem se falar por uns minutos, mas me vi te amando com a mesma intensidade em cada momento.
    No fim de Novembro conheci a palavra 'DESGASTE' e o impacto que ela tem em uma via. Na nossa vida. Deixamos de nos preocupar um com o outro, com as vontades do outro e pelo visto com os sentimentos também. A nossa história havia chegado ao fim.
    Dezembro já havia passado quando me ofereceram um pedaço de pizza que recusei. Não podia colocar dentro de mim algo que me lembraria alguém que escolheu me esquecer.

Mande flores para ela




    Seu olhos são castanhos, mas são facilmente confundidos com pretos quando se olha rápido demais. Seu cabelo é mediano, apesar das tentativas de fazê-lo crescer, e as vezes quer ser liso-encaracolado, um dilema sem fim... Seu sorriso, ah, o seu sorriso... ela consegue sorrir com os olhos também, apesar deles  quase se fecharem quando ela levanta os cantos da boca, é impossível não sorrir com ela. Ela também costumava levantar a sobrancelha direita, confesso  que eu não gostava muito daquilo, parecia um misto de desconfiança e desafio. Ela ficava irritantemente linda quando fazia isso.
Eu gostava de vê-la sorrir, apesar de quase nunca fazer algo para que isso acontecesse. Ela parecia ficar presa em um mundo próprio quando sorria. Ela não gostava de manter contato visual com as pessoas, sempre olhava para os lados, para cima, sorria para o chão, como se estivesse envergonhada. Poucas vezes ela deixou que eu olhasse no fundo dos seus olhos e eu finalmente vi sua alma.
    Ela era bem fechada, não andava por aí com um sorriso no rosto, nem abria espaço para as pessoas a sua volta, ela parecia mais confortável consigo mesma (e, aparentemente, comigo). Quem via pensava que ela era uma carrasca, mas nunca vi um coração tão mole em toda a minha vida, nem alguém tão chorona assim... ela se emocionava com facilidade.
    Uma armadura tão grossa guardava uma pessoa cheia de sentimentos, ela amava filhotes (de todos os bichos que existiam no mundo), escrevia como ninguém, adorava assistir A Pequena Seria (com seus quase 19) e amava incontrolavelmente as flores (só dei um buquê a ela 1 única vez).
    Eu via ela curtir fotos de buquês, de flores coloridas, de  rosas vermelhas, rosas azuis. As vezes fazia questão de enviá-las a mim: “Olha como são lindas!”, realmente eram bonitas, mas eu não me importava. Havia vários filmes para ver no cinema, a cerveja dos fins de semana e o racha com os amigos, não dava pra gastar com flores.
Hoje não estamos mais juntos, mas me lembro com clareza do dia que lhe enviei um buquê. Ela mandou mensagens se acreditar, encheu a nossa conversa com corações e frases como “estou tão feliz!”, “você realizou um sonho meu!”, “devo ser a pessoa mais feliz do mundo”. Ela tirou milhares de fotos com aquele buquê. Soube, por sua mãe, que ela se deitou no chão da sala e chorou abraçando as suas flores. Ela ficou feliz por meses, apesar de nunca mais ter ganhado algo do tipo.
    Hoje eu desejo voltar no tempo e encher a frente da casa dela com as flores mais lindas do mundo, abrir mão do futebol, dos filmes, da cerveja e de tudo que considerava mais importante, só pra lhe comprar, nem que fosse, um botão de rosa, só para vê-la sorrir.

Só queria que tivessem me feito enxergar o tamanho da felicidade que as flores traziam a ela. Que tivessem me atentado à todos os detalhes, sonhos e vontades dela enquanto estávamos juntos. Precisava de alguém que me dissesse: “Mande flores para ela!”. Certamente teria visto seu sorriso muitas vezes mais.

O que não nos contaram sobre o amor




   Desde que nascemos ouvimos definições sobre o amor, a forma como como ele aparece, como deve ser sentido, como deve ser aproveitado e exteriorizado. Pelo que parece, existe uma fórmula para o bendito, como as de química e física, sempre com respostas exatas, sem dor, sofrimento e com felizes para sempre.
    Na infância somos apresentados aos príncipes e princesas com seus beijos em sapos e em moças que dormem, no aniquilamento da bruxa do mal, na paixão pela fera, nas tranças gigantes janela abaixo, à mocinha e o ladrão, ao moço da selva e a senhorita da cidade e (todos) viveram felizes para sempre.
    Na adolescência conhecemos os romances mais lindos com cartas e buquês, fotos na paria ao pôr do sol cor-de-rosa-alaranjado e alianças brilhantes gravadas com declarações ou um código que só o casal entenda.
    Mas quando a gente cresce mais um pouquinho descobre que o amor nem sempre caminha de mãos dadas com a felicidade, as vezes ele se senta com as dificuldades, com as decepções, com as lágimas, mas nem por isso deixa de ser amor.
    Não nos contaram que nem todo mundo ama da mesma forma, com a mesma intensidade ou nos mesmos detalhes. Algumas pessoas não sabem lidar com sentimentos, outras sentem, mas preferem não sentir e acabam machucando outras pessoas.
    Não nos contaram que pra ser amor não precisa ser sempre 'sim', sempre sorrisos e 'eu te amo'. Amor também briga, chora, desliga na cara, pede pra riscar o nome da agenda (rs), xinga todos os palavrões que conhece e pode até jogar todos os defeitos do outro na cara (alguns dizem que pode ajudar, né). Infelizmente amor não é sempre dormir de conchinha, beijos calorosos ou mão na coxa enquanto dirige. Não é banho junto, nem planos sobre o casamento. 
    As vezes amor pode ser ir embora (com todas as razões do mundo), pode ser mal educado e grosso. Pode ser nunca mais ligar, não ter mais nas redes sociais ou não mandar mensagem de natal (ou aniversário), ou, até mesmo, pode ser não esperar.
    Amar, pra mim, é não ter respostas do adeus, é não saber o por quê, é estar de coração partido e mesmo assim incluir nas orações, nos pensamentos positivos ou no que acredite.

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