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Antes de Partir



Antes de partir se lembre de como tudo começou, do dia que trocamos a primeira mensagem, da primeira vez que nos vimos (você disse que gostava de me ver estudando pelo skype), das vezes que eu me escondia pra ouvir sua voz pelo telefone, do primeiro eu te amo e do próximo, que veio acompanhado de um textinho de ano novo.

Antes de partir pense em todos os nossos dias, nos primeiros 181 e depois dos últimos 730.

Antes de partir se lembre dos motivos dos sorrisos que fiz você dar, sei que eles incluem os versinhos que eu costumava te enviar de madrugada pra que quando acordasse tivesse algo bonitinho pra ler.

Antes de partir espere a minha febre, que durará anos, passar.

Antes de partir sente-se comigo e vamos tomar todo o café o mundo, a gente começa pelo do sábado de manhã, depois tomamos cada um que existe em cada Starbucks (10 vezes) e depois a gente segue experimentando todo o café que existe em cada micro cidade por aí e finaliza com o Kopi Luwak (ou Café Civeta).

Antes de partir vamos assistir à todas as nossas séries favoritas e escrever a continuação para aquelas que acabarem.

Antes de partir vamos colocar todos os nossos planos juntos, em prática. Vamos para França no Natal, para Las Vegas ano que vem (porque só lá poderemos desfrutar dos cassinos), vamos fazer aquele cruzeiro baratinho que achamos na internet, me leva pra Disney e deixa que eu me sinta uma princesa encantada, só não esquece de me beijar na frente do castelo.

Antes de partir me ame só mais algumas vezes e se mesmo depois que fizermos todas essas coisas você ainda quiser partir, se lembre, apenas, do quanto eu te amei nesse tempo juntos (e vou amar independente da sua escolha) e não lhe impedirei, afinal fizemos tudo o que tínhamos que fazer. 

Mas, se porventura, se arrepender, volte correndo! Não pense 1 ou 2 vezes, venha sem pensar. Venha a pé ou de carro, só venha. Eu estarei no mesmo lugar te esperando e começaremos a fazer novos planos, veremos novas séries, inventaremos outros cafés, e outros beijos e tudo novo só pra termos mais tempo juntos.

Tudo tem um fim

   

    Sempre ouvi dizer que tudo tem um fim e que as vezes ele vem sinalizado, só pra gente se preparar, enterrar os pés na areia como fazemos no mar o avistar uma onda grande, só pra não ser tão impactado com a sua violência, mas as vezes ele é silencioso e calmo... pega a gente no susto.
  Eu via a gente como uma dupla imbatível, do playstation ao almoço nos sábados. Éramos bons juntos, sabíamos ceder - você topava assistir A Pequena Sereia e eu abria mão de você por 1 ou 2 horas para que pudesse jogar seu jogo -, sabíamos ser amigos, sabíamos muita coisa...
    Nos vi fazendo planos sobre o nosso cachorro, que por sinal se chamaria Trotsky ou Zeus - você iria aceitar em algum momento -, nos vi planejar uma viagem pra França ou pra Las Vegas no fim do ano, mas também nos vi trocá-las por um Cruzeiro (gostei daquele que sairia de Miami). Vi a gente acordar cedo pra ir correr no parque e comer um 4.0 no B.K. a noite. Vi a gente viver algo que eu chamaria de O Extremo da Alegria.
    Vi a gente discutir e fazer as pazes antes de cair no sono, ficar sem se falar por uns minutos, mas me vi te amando com a mesma intensidade em cada momento.
    No fim de Novembro conheci a palavra 'DESGASTE' e o impacto que ela tem em uma vida. Na nossa vida. Deixamos de nos preocupar um com o outro, com as vontades do outro e pelo visto com os sentimentos também. A nossa história havia chegado ao fim.
    Dezembro já havia passado quando me ofereceram um pedaço de pizza que recusei. Não podia colocar dentro de mim algo que me lembraria alguém que escolheu me esquecer.

Mande flores para ela




    Seu olhos são castanhos, mas são facilmente confundidos com pretos quando se olha rápido demais. Seu cabelo é mediano, apesar das tentativas de fazê-lo crescer, e as vezes quer ser liso-encaracolado, um dilema sem fim... Seu sorriso, ah, o seu sorriso... ela consegue sorrir com os olhos também, apesar deles  quase se fecharem quando ela levanta os cantos da boca, é impossível não sorrir com ela. Ela também costumava levantar a sobrancelha direita, confesso  que eu não gostava muito daquilo, parecia um misto de desconfiança e desafio. Ela ficava irritantemente linda quando fazia isso.
Eu gostava de vê-la sorrir, apesar de quase nunca fazer algo para que isso acontecesse. Ela parecia ficar presa em um mundo próprio quando sorria. Ela não gostava de manter contato visual com as pessoas, sempre olhava para os lados, para cima, sorria para o chão, como se estivesse envergonhada. Poucas vezes ela deixou que eu olhasse no fundo dos seus olhos e eu finalmente vi sua alma.
    Ela era bem fechada, não andava por aí com um sorriso no rosto, nem abria espaço para as pessoas a sua volta, ela parecia mais confortável consigo mesma (e, aparentemente, comigo). Quem via pensava que ela era uma carrasca, mas nunca vi um coração tão mole em toda a minha vida, nem alguém tão chorona assim... ela se emocionava com facilidade.
    Uma armadura tão grossa guardava uma pessoa cheia de sentimentos, ela amava filhotes (de todos os bichos que existiam no mundo), escrevia como ninguém, adorava assistir A Pequena Seria (com seus quase 19) e amava incontrolavelmente as flores (só dei um buquê a ela 1 única vez).
    Eu via ela curtir fotos de buquês, de flores coloridas, de  rosas vermelhas, rosas azuis. As vezes fazia questão de enviá-las a mim: “Olha como são lindas!”, realmente eram bonitas, mas eu não me importava. Havia vários filmes para ver no cinema, a cerveja dos fins de semana e o racha com os amigos, não dava pra gastar com flores.
Hoje não estamos mais juntos, mas me lembro com clareza do dia que lhe enviei um buquê. Ela mandou mensagens se acreditar, encheu a nossa conversa com corações e frases como “estou tão feliz!”, “você realizou um sonho meu!”, “devo ser a pessoa mais feliz do mundo”. Ela tirou milhares de fotos com aquele buquê. Soube, por sua mãe, que ela se deitou no chão da sala e chorou abraçando as suas flores. Ela ficou feliz por meses, apesar de nunca mais ter ganhado algo do tipo.
    Hoje eu desejo voltar no tempo e encher a frente da casa dela com as flores mais lindas do mundo, abrir mão do futebol, dos filmes, da cerveja e de tudo que considerava mais importante, só pra lhe comprar, nem que fosse, um botão de rosa, só para vê-la sorrir.

Só queria que tivessem me feito enxergar o tamanho da felicidade que as flores traziam a ela. Que tivessem me atentado à todos os detalhes, sonhos e vontades dela enquanto estávamos juntos. Precisava de alguém que me dissesse: “Mande flores para ela!”. Certamente teria visto seu sorriso muitas vezes mais.

O que fica depois do café?

 


    Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, sempre a mesma coisa. O mesmo trabalho monótono após uma manhã cansativa na faculdade, perdemos as contas da quantidade folhas que usamos naquela manhã - eu adorava contar a quantidade usada por dia e matéria e ele achava estranho, mas poucas semanas depois o peguei descrevendo seu dia cansativo com a minha medida de 'folhas usadas' -, mas aquele dia foi lotado de folhas e post its. Era incontável.
    19h e 30min era o nosso horário naquela sexta comum. Depois do banho quente, das lamentações do dia e depois de jogar aquele sapato apertado no fundo do armário, ele queria saber: 'E depois do café?', este que a gente nunca assumiu que amava, ou vai ver não amava mesmo, só achava uma delícia se sentar lá no fundo da cafeteria com as nossas xícaras brancas e nosso bolo de chocolate meio amargo. Só pra jogar conversa fora. E eu que não entendia: 'Depois do café?', mas ele só deu de ombros pra me apressar mais uma vez: 'Não precisa de rímel... é só o nosso café de sempre, vamos logo.'
    19h e 30min já estávamos à espera dos nossos pedidos. A cafeteria estava mais vazia que o normal, o que propiciou a nossa mania feia de bisbilhotar a vida alheia, vez ou outra a gente tentava adivinhar a situação de cada um ali dentro. Éramos ótimos nisso, bisbilhotar, claro, entretanto já criamos excelentes histórias para as pessoas à nossa volta, mas nesse dia só houve o rapaz de óculos redondo com um livro grosso, que, segundo a gente, foi abandonado - ele dava mais atenção às horas e à porta, que ao livro que lia... e cá entre nós: quem dá mais atenção à essas coisas que à Ana Karenina de Tolstoi? Só pode ser amor.
    O nosso pedido ficou pronto. Dois golinhos de café foram tomados e o bolo nem foi tocado - por ele, porque eu estava preste a provar aquela calda de chocolate meio amargo -, ele desviava o olhar, enchia os pulmões de ar prestes a dizer  algo, mas desistia. Tive de apressá-lo, mas antes que eu terminasse ele disse algo como 'Eu não posso fazer isso', seguido de um 'Eu amo você...', certamente houve mais, mas após o 'eu não posso fazer... blá blá blá' eu parei de ouvir, só recobrei a audição no final das explicações.
    Ele pegou seu casaco e se foi. Eu só queria entender por que perguntar 'e depois do café?' se não tinha a intenção de esvaziar a xícara. E agora, o que fica depois do café? Certamente duas xícaras sujas, dois pires com respingos marrom, duas colheres pequenas, dois bolos de chocolate e um coração partido.


Ela e o mar



    Ela gostava de seu quarto cor de rosa, da sua cama box (que impedia que fantasmas se escondessem e puxassem seu pé às 03h e 17min ao se levantar pra ir ao banheiro), da sua TV com canais que não cabiam em contagens feitas nos dedos das mãos e do seu WiFi de não-sei-quantos-megas. Não podemos esquecer do guarda roupas rosa (ou lilás?) que vez ou outra gerava discussões por não se manter organizado.
    Ela presava seus banhos quentes e sua estante do-curso-de-direito com 5 livros, além da sua sapinha de pelúcia que velava seu sono todas as noites. Ela amava o frio e a chuva misturados ao seu cobertor roxo claro fofinho, mas nada disso à prendia à sua cidade não litorânea.
    O coração dessa menina era da praia , da areia quente, da água salgada.  Ela queria o sol, a brisa suave que aos poucos a impedia de mexer no cabelo (parecia cola), ela queria pegar jacaré e levar caldo (desde que ninguém a visse lutar contra as ondas violentas).
  Ela se sentava nas espreguiçadeiras e olhava com dificuldade para o céu azul, enquanto enterrava os pés na areia. Comia feliz da vida suas patinhas de caranguejo e preparava uma coisinha especial com molho de pimenta e ervas, farofa e a casca do bicho. Nunca podia faltar camarão (a alergia não a impedia de ser feliz).
    Ela não tinha frescura , molhava o cabelo no mar, pegava vento na areia (até o cabelo assumir uma forma irreconhecível), caia na areia pra salvar o jogo de frescobol e corria desesperadamente para o mar quando via sua bolinha ser engolida onda após onda. Na praia ela não se importava com o cabelo desgrenhado ou a falta de maquiagem, ela só queria ser feliz na simplicidade.
    Ela quer bronzeado! Que as linhas do biquíni marquem seu corpo até o próximo verão.

Eu virei a minha página na Virada do Ano!

  

    01/01/2017 eu acordei às 10h e 58min e permaneci de olhos fechados por alguns segundos, queria sentir a magia do novo ano que acabara de iniciar. Entretanto o ar parecia denso como nos outros dias, o sol brilhava com a mesma intensidade, o timbre dos pássaros que costumam cantar aqui por perto permanecia o mesmo, mas algo havia mudado... O que? Aparentemente o meu cabelo permanecia desgrenhado – como todas as manhãs -, meu quarto ainda era rosa bebê e eu ainda era preguiçosa, mas eu sabia que algo estava diferente. Então parei de analisar  as coisas externas e me concentrei em mim.
      Às 11h e 06min reuni minhas forças e saí da cama, lavei o rosto com a água congelante (que congelava até a alma) que saía da pia do banheiro e me olhei no espelho – como faço todas as manhãs –, mas dessa vez foi diferente.  Eu não tinha reclamações para fazer sobre o meu cabelo preso num coque bagunçado no alto da cabeça, não reclamei do meu pijama de sapinhos - que, inclusive, parecia muito meigo, apesar da fita vermelha de cetim estar todas embolada -, não me incomodei com as minhas olheiras ou a minha nada-atraente-cara-amassada, não procurei ‘defeitos’ em mim. Não reclamei do calor da manhã, do barulho rua afora ou qualquer outro detalhezinho insignificante. Hoje não. Então eu sorri para o espelho e ele sorriu de volta pra mim.
      Eu entendi! Eu finalmente sabia o que havia mudado: eu virei a minha página na virada do ano! Eu deixei o passado para trás, eu limpei meus olhos e vi quem eu realmente sou. Eu coloquei um ponto final no finzinho da última linha da página 366, só para começar uma história nova numa página novinha, sem marca de lápis, sem pózinho de borracha, ela era nova.

Sorria para a Lei de Murphy


   Estava aqui pensando em probabilidade. Na que está mais ligada à Lei de Murphy, que às contas chatas e dores de cabeça do ensino médio, então não se preocupe, nesse texto não vou entrar em detalhes sobre como a  Razão de Probabilidade é dada por: P(E) = n(E), nem vou dar o clássico exemplo da moeda.                    
             n(S)
  De forma simplificada a Lei diz que se algo pode dar errado, dará, então a torrada pode cair com a parte da geleia no chão, o esmalte pode encher de bolinha, a paleta (novinha) de sombras pode cair e virar pó, o motor pode fundir no dia da reunião e você pode se atrasar, as respostas podem fugir na hora da prova ou o seu peixinho pode morrer.
  A gente pode ser traído, pode gostar de alguém que não gosta da gente, ou também pode não gostar de alguém que gosta da gente.
  Tudo pode, mas tudo também vai - lembra do Murphy? Pois é tudo vai - , isso porquê nós não temos o controle (e, sinceramente, nunca tivemos). Desculpa dizer, mas você, eu ou as nossas mães não são onipotentes, então não adianta fazer birra, seu bolo vai solar, seu pneu vai furar e seu gato vai fugir, mas a culpa não será sua, minha ou de qualquer outra pessoa.
  A gente só precisa aceitar, o  que é difícil de fazer quando se é mimado (aceite isso também, porque todos nós somos mimados, seja por ganhar tudo que pede aos pais, ou por pensar que o seu bolo não podia solar), mas é preciso.
  Não sei no que você acredita, mas se hoje eu pude te dar um conselho: sorria para os resultados da Lei de Murphy, porque deve haver alguma lei dizendo que se você sorrir para Murphy, ele pode sorrir de volta pra você.

Eu vi todas as estações

  

  Eu vi a primavera chegar - ela que é dita como a mais bela das estações - com todas aquelas cores e perfumes que enchem os olhos e o coração. Eram tantos pássaros, cada um tentando mostrar a bela canção que havia preparado durante a estação passada. Eram floriculturas com os mais belos buquês e com os clientes mais apaixonados, ou arrependidos... Os parques estavam cheios de pessoas que celebravam suas primaveras.
  Eu vi o verão chegar com seu calor inconfundível e com as férias almejadas. Eram famílias planejando uma viagem que agradasse desde o filho adolescente, até a princesinha de quatro anos. Eram casais e mais casais que planejavam novas lembranças e solteiros que planejavam uma lista de lugares que renderiam novidades e aventuras invejáveis.
  Mas eu também vi o outono chegar e o brilho das cores esvair. A cada dia mais folhas cobriam o chão e menos sorrisos se estampavam nos rostos, os dias eram preguiçosos e tudo parecia monótono. Não havia mais perfume no ar, nem olhos brilhantes... O vento que tocava as folhas no chão, levou, também, a esperança de alguns e a felicidade de outros.
  Por fim, eu vi o inverno chegar com todo o seu frio, sem a esperança da próxima estação. As noites eram frias e longas, e os casais que conseguiram sobreviver ao outono esquentavam-se, um no outro, embaixo de edredons à luz fraca da TV que transmitia Friends, na NETFLIX. Aqueles que não conseguiram, sentiram com veemência os efeitos do inverno... a cama parecia grande demais, vazia demais, as cobertas pareciam demasiadamente finas, "só tem coisa melosa passando na TV?" Outros tentaram lutar contra o inverno preenchendo-se com pessoas e sentimentos mais vazios que eles mesmos.
  Eu vi todas as estações chegarem, só não vi você chegar... Talvez seja por isso que o ciclo recomece de novo, e de novo e de novo: para que você possa chegar em algum deles. 

Eu quis te contar, mas não podia

  

  
  O meu peixe morreu. Eu quis te contar, mas não podia, então eu chorei. Chorei porque o meu peixinho tinha morrido e porque eu não podia te contar, eu não podia contar pra única pessoa no mundo que eu queria que soubesse. Não porque você viu todos os peixes dos seu aquário morrerem dia após dia, mas porque você é você.
  Provavelmente você iria rir com a mensagem e achar que a minha tristeza era só drama, mas você ia me consolar, ia dizer que coisas assim acontecem, que todos os seus peixes morreram e você não chorou, mas você sabe como eu sou e sabe como fiquei feliz em ganhar meu peixinho azul-esverdeado no dia das crianças. Então, eu sei que você me prometeria um peixe novo, nas mesmas cores, se isso fosse me deixar mais feliz e eu iria sorrir, em meio às lágrimas, porque você era a melhor pessoa que eu já tinha conhecido. Mas isso não aconteceu e eu chorei sozinha porque o meu peixinho morreu.
  Eu não pude te contar porque você não queria saber, eu não era mais nada na sua vida, eu não era - se quer - sua amiga. Então por que uma estranha mandaria uma mensagem dizendo que o seu peixinho morreu? Eu não sei. E foi por isso que eu não te contei.
  Eu acumulei novidades, eu planejei como contar elas pra você, mas você não queria saber. Eu escrevi mensagens mas não enviei, porque você não iria ler. Eu montei discursos mas não os apresentei, porque você não iria assistir. E por que?
  Você partiu com a mesma facilidade que se desfaz uma amizade no Facebook ou se bloqueia um contato no whatsapp. Você se foi e não olhou pra trás. Você não se importou com ninguém além de si mesmo. Você não ficou para saber sobre mim ou sobre o meu peixinho azul-esverdeado. 
  Então eu juntei tudo isso e enterrei junto com o meu peixinho, para que você pudesse viver a sua vida e para que eu aprendesse a lidar com a minha, sozinha. Porque você se foi.

Mar

  Sempre fui apaixonada pelo mar, pela diversão das ondas, por todo aquele sal, pelos banhos e brincadeiras na água, mas ultimamente a minha paixão se transformou, não que eu tenha deixado de ser louca pelo mar, mas agora prefiro olhar, somente olhar, como fazemos com as coisas maravilhosas que vemos por aí, sabe? As vezes aquilo parece ser tão incrível que só dá vontade de olhar e olhar e olhar.
  O mar sopra em meu rosto e seu hálito frio preenche todo o vão que existe em mim, esse nosso momento pode até virar um belíssimo poema,  preciso apenas de um caderno, uma caneta, um entardecer e uma roupa bem quentinha. Ele é o amor de qualquer um que sabe observar, o mar é o único amor solitário que não machuca, é o amor de um só que não se parece com um bicho de 7 cabeças, ele continua leve, lindo e perfeito, ele permanece amor, é livre de qualquer tristeza. Ele é cúmplice dos meus devaneios, das minhas vontades loucas, dos meus medos estranhos e dos meus sentimentos confusos.
  Acho engraçado o fato de o meu mar não ser o teu mar, apesar de estarmos lado a lado observando-o, ele nunca se revela igual, meus olhos são testemunhas de suas inúmeras faces e fases, e quebras de onda, e recolhimento, e expansão.
  Nessa praia maravilhosa que tenho o prazer de visitar todos os anos, tenho a sorte de presenciar um conjunto de belezas que, muitas pessoas, encontram separadamente, cada uma em uma praia em diferentes lugares desse nosso mundo. Céu e mar parecem um só, ou talvez o mar seja o reflexo do céu, ou o céu do mar, sei lá, ainda não consegui entender. Apesar de, nos últimos tempos, o número de turistas ter crescido bastante o silêncio desde lugar é incrível, na verdade a capacidade do mar de silenciar qualquer ruído, é incrível. A geração Go-Pró, a geração dos celulares a prova d'água e das capinhas a prova d'água seriam completamente felizes aqui, em cada canto os olhos se esbarram com paisagens de uma beleza imensurável. O cair da noite, as pedras ou a maré seca seriam o cenário perfeito para fotos fofas, dignas de Instagram, Facebook e Twitter. O pôr do Sol desse lugar é o mais lindo que eu já vi e ele se casa perfeitamente com os coqueiros que se iniciam no horizonte e os desenhos deixados pelo mar na areia. É o cor-de-rosa-roxo-alaranjado mais lindo que já pude enxergar.
  "No frio, o mar talvez pareça não estar tão perto, mas ele está. Ele apenas não molha, mas abraça." Os abraços distantes são bem mais compreensivos e amorosos.
  E pra quem quiser viver um amor: vá à praia e adicione um A ao mar e assim o mar ficará completo.

O que eu vejo?



 O nosso maior presente é a visão, há uma infinidade de coisas lá fora que gritam o nosso olhar. São as lindas flores da primavera, as folhas secas do outono e o brilho maravilhoso do sol no verão. Como alguém pode viver sem ver as ondas se quebrando na praia ou ver o sol ir dormir enquanto a lua chega envergonhada? Se eu pudesse daria os meus olhos a todos aqueles que não têm a sorte de ver as coisas lindas que eu vejo, queria que todos pudessem enxergar as maravilhas que estão lá fora.


  Eu poderia simplesmente olhar e olhar e olhar pelo resto de minha vida. Poderia me levantar todas as manhãs e fitar o calendário sem me cansar de ver apenas números diferentes, olhar para o céu e perceber os novos desenhos que as nuvens fizeram e contemplar, ali, o meu futuro, como poderia também, sentar em algum banco no parque e, apenas, assistir a bela aurora. 

  É tão difícil traduzir em palavras as imagens que nossos olhos captam, não dá pra descrever certas coisas, são detalhes tão majestosos, são, realmente, obras de Deus, porque ninguém seria capaz de fazer algo tão perfeito.
  E finalmente, o que eu vejo? Eu vejo o amor, apenas isso. Afinal, só alguém que ama muito faz coisas lindas assim.

Voar

  Eu gosto de viajar e, por incrível que pareça, o meu maior apreço por isso se deve aos aviões. Sim, sou apaixonada por essas coisas gigantes que fizeram meu sonho de infância se realizar. Afinal, quem nunca sonhou estar voando? Ser leve, ir pra onde quiser, pra onde o vento soprar.
  Eu gosto da sensação de liberdade que o voo me oferece, gosto de me sentir no céu, literalmente. Gosto de ver as nuvens de cima, ver as coisas pequenininhas. Tudo fica tão lindo, não é possível ver a sujeira nas ruas, as pessoas pobres e tristes jogadas ao chão e muito menos os ladrões que estão pra todo lado.
  Enfim, eu gosto da beleza que a altura me dá, é como uma peneira que deixa, apenas, aquilo que é bonito passar.
 

Meu Pequeno Pra Sempre Solitário


 A noite era fria e eu andava solitária pelas ruas cobertas de brilho, ou seria de chuva? Não importa, mas a beleza estonteante da estrada me fez perceber que caminhar só talvez não fosse assim tão ruim. A solidão tem lá sua beleza, e que beleza.
  Eu conseguia perceber os detalhes, as estrelas pareciam brilhar mais naquela noite e a lua parecia sorrir, pra me fazer sorrir também. O jeito como as estrelas me olhavam fazia eu me sentir segura e completa, em nenhum momento antes tinha me sentido tão compreendida como naquele instante. Nenhuma nuvem ousava chegar naquela céu, no meu céu.
  O vento frio me fazia arrepiar a cada passagem, meus músculos se contraíam a medida que ele vinha e relaxavam quando ia embora e isso me fazia sorrir como uma boba, parecia uma brincadeira entre amigos, eram como cócegas que não me causavam pânico.
  E o silêncio... bom, na verdade talvez não estivesse tudo silencioso, talvez a minha mente estivesse gritando alto demais para que eu pudesse ouvir o que estava do lado de fora, mas mesmo assim a trilha sonora da noite era perfeita. O vento que tocava as folhas secas que se quebravam aos poucos, os pneus passando no asfalto e o som do mar. A princípio parecia só barulho, mas só era preciso um pouco mais de atenção pra perceber a sintonia incrível que existia entre eles, um completava o outro de forma tão majestosa que mais parecia uma orquestra completamente organizada, à sons 'aleatórios' da noite.
  De qualquer forma, tudo o que eu mais queria era a eternidade do momento, porque tudo parecia sincronizadamente perfeito, tudo parecia ter sido colocado ali pra me acalmar e, bom, aquele foi o meu Pra Sempre, que por sinal durou uma eternidade de minutos, ou foram segundos? Só sei que o meu pequeno pra sempre solitário foi mais verdadeiro e intenso que muitos infinitos acompanhados.



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